sábado, 15 de dezembro de 2012

Assassinato da esperança





Tirar a vida de uma criança é roubar a esperança de uma nação! 

Massacre e chacina em mais uma escola dos EUA! Por que acontece isso neste país? Por que fazer do lugar de aprendizado, um confinamento para a morte? Qual o ódio e a loucura que estão embutidos nestas pessoas que sentem uma atração fatal pela pulsão de morte e ceifam vidas e mais vidas? 
Será que no pais do Tio Sam, daquele dedo apon
tado dizendo Yes You Can, as pessoas que fracassam em 'ser' passam a odiar o sistema que lhes prometeu a felicidade em abundância do 'ter'?
Fico pensando que foi lá que surgiu a expressão "fundamentalismo religioso" e não em algum país muçulmano como se crê e propaga.
Lembro que no filme (o primeiro) "A fantástica fábrica de chocolate" em que um dos meninos que ganha o papel dourado para visitar a fábrica está vestido de cowboy e um repórter pergunta se a arma em sua cintura era um Colt 45 ao que ele responde irritado: "Claro que não! Meu pai só vai me dar um quando eu tiver doze anos!" A terceira emenda da Constituição Americana dá o direito do porte de arma a partir dos doze anos (acompanhado pelo pai ou responsável) como direito de defesa. Defesa contra quem?
Todos sabemos da paranoia que assola desde sempre o povo americano. Estão sempre sendo invadidos por marcianos, vírus espaciais, alienígenas, serial killers, russos, terroristas... E na arrogância épico-hollywoodiana eles são os responsáveis por salvar o planeta do mal.
Num país de efusivo patriotismo, há de tudo, mas a banalidade do mal (como afirmava Hannah Arendt) precisa ter um fim. E a solução (final? tsc!) não virá de fora para dentro. Será preciso rever, se se quiser evitar outros massacres, não só a revogação das leis que permitem a todos ter armas, mas a conscientização de que o mal está em cada ser humano e ele aponta sua escolha para onde ele quiser.
S. Freud, no Mal-Estar na Civilização, nos diz que nosso sofrimento vem de 3 direções: 1) do poder superior da natureza 2) da fragilidade de nossos corpos e 3) da luta do homem contra seu semelhante. E afirma que das 3 situações a última é a pior e a mais nefasta. E cita o filósofo Plauto: "O homem é o lobo do homem."
Não sejamos ingênuos: a maldade e a tendência à pulsão de morte está em cada um de nós.
Num país que nos deu Cole Porter, Ira e George Gershwin, Jimi Hendrix, Henry David-Thoreau, Mark Twain, Scott Fitzgerald, Philip Roth, cieneastas, atores, atrizes, num país criador de clássicos mitos, por que também produz a escória que transforma esperança em tragédia?
Repito:
Tirar a vida de uma criança é roubar a esperança de uma nação!

Mas é preciso não só olhar o midiático EUA. É preciso olhar para a esquecida África, o massacre em Ruanda e os milhares que morrem assassinados pela fome todos os dias, é preciso olhar para o Oriente Médio e seus intermináveis conflitos, é preciso olhar para a Índia e seus miseráveis de castas inferiores, é preciso olhar para a China e a escravização no trabalho, é preciso olhar para o Brasil e sua corrupção que também mata ao desviar verbas públicas que deveriam estar a serviço da saúde e educação (a lista é interminável), é preciso olhar para cada nação, enfim, é preciso olhar para cada ser humano, é preciso olhar para você e se perguntar: o que você tem feito por você e pelo mundo ao seu redor?

8 comentários:

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    1. Olá Carlos Eduardo, tudo bem com você?

      Sem dúvida que há certa urgência que família e escola exercitem e ampliem a escuta, a mirada (olhar)sobre si,sobre nossas crianças e adolescentes e interroguem-se: Que discurso é este que se repete, se reedita de outra forma? Que modelos de homem,de mundo e de sociedade estamos deixando de exemplo (herança) para as futuras gerações? Penso que a educação eurocentrica, ainda dominante, insiste em forjar "modelos de sucesso" através de uma educação centrada apenas no desenvolvimento de habilidades e competências, não abrindo espaço para o desenvolvimento de sensibilidades como bem fala Rubem Alves, antes do "ter", necessitamos "ser", para aprender e apreender o mundo com criatividade e amorosidade.
      Belo texto!
      Grande abraço.

      Em tempo: Meu primeiro comentário saiu cortado, por isso o retirei, desculpe.

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    2. Ilza,
      Obrigado pelo teu comentário. É verdade, ser e ter regem nossas vidas. O importante é saber o que valorizarmos.
      Abraços

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  2. Excelente retrato dos acontecimentos e a essa crucial pergunta final, o que responderá cada um de nós?

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    1. Perguntar é tentar encontrar respostas.
      Abraços e obrigado pelo comentário.
      Ah, imagine, não te esqueço...rs

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  3. Olá Carlos,
    Seu texto é contundente. Eu me faço as mesmas perguntas.
    É mais fácil projetar o mal, criar um vilão, o bode espiatório, do que admitir a porção do mal que nos habita. Achei ótima sua colocação: aqueles que fracassam em ser passam a odiar o sistema que lhes prometeu a felicidade em abundância no ter. A confusão entre ser e ter é a doença da sociedade.
    Abraço

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    1. Cristiane, o que a vida quer da gente é que tenhamos uma coerência entre o que pensamos e o que fazemos. A isto chamamos responsabilidade ética.
      Abraços,
      Carlos Eduardo

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  4. As suas palavras e reflexões são as minhas, inclusive no paradoxo que encaramos ao ver quantos gênios nasceram ali, provando a aterritorialidade da arte e do bom caráter. Eles, os americanos, são també um dos grandes prejudicados.

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